CULTURA

Saberes e fazeres de um povo

Gonçalves, embora pequena em população, possui um grande número de manifestações e tradições culturais. Há pouco mais de duas décadas, o município vivia da agricultura e pecuária, sendo desconhecido aos olhos de quem procurava lindas paisagens, tranquilidade e aquele "jeito" do interior. Nos anos 90 o turismo começou a surgir timidamente, pois o destino não havia se planejado nem feito investimentos em infraestrutura e promoção para receber visitantes. Mas em poucos anos, Gonçalves foi descoberta e desde então, a atividade turística transformou a pacata cidade, sendo hoje a principal fonte de renda do município. Os empreendimentos comerciais foram surgindo e a cada dia, novos estabelecimentos são abertos e mais turistas chegam, sejam apenas de passagem ou com segunda residência estabelecida.

 

As belezas naturais e o clima ameno contribuíram para que a cidade se tornasse um dos maiores polos turísticos do Sul de Minas, mas o grande diferencial, foram e são realmente as pessoas e seus saberes e fazeres. A cultura local encanta quem aqui chega e orgulha quem aqui nasceu. A arquitetura, típica de cidades do interior de Minas, com os alpendres e varandas enche de charme as rua do pequeno Centro e os bairros rurais e abriga os gonçalvenses de nascimento e acolhe os novos moradores, gonçalvenses de coração. As casas estão sempre com suas portas e janelas abertas para os contos e causos, que são muitas vezes acompanhados por rodas de viola, entorno de uma fogueira ou na "boca" do fogão a lenha.

 

Gonçalves é um munícipio predominantemente rural. A maior parte da população vive nos bairros rurais, carinhosamente conhecidos como "roça". E a vida na roça começa cedo, pois as vacas madrugam e precisam que o leite seja ordenhado antes que os bezerros mamem. O queijo precisa ser feito na sequência. As galinhas precisam ser soltas e alimentadas e as hortaliças precisam ser colhidas antes que o sol nasça. Nas propriedades rurais ainda é possível encontrar casarões centenários, moinhos tocados a roda d´água que moem o milho, transformando-o em fubá. E fornalhas que assam broas, feitas com o fubá moído no moinho, e assam também roscas e biscoitos, que muitas vezes são servidos nas festas religiosas dos bairros. Já os carros de boi e cavalos, podem ser facilmente encontrados desfilando pelas estradas de terra e pelo Centro da cidade.

 

As festas religiosas, comemorando o Dia do Padroeiro, o tapete de Corpus Christi, a encenação da Paixão de Cristo, são celebradas anualmente, sempre com muita fé e devoção. Durante a pandemia, a parte social, como bingos e leilões está suspensa, mas a celebração religiosa se mantém viva e resgata e fortalece a cada ano tais tradições. As festas também são a oportunidade dos amigos e familiares se reunirem e relembrarem as celebrações anteriores, fazendo uma listinha de quem foram os últimos ‘’festeiros’’.

 

Gonçalves é uma cidade de artistas! Sempre foi conhecida pela habilidade de seus músicos, através da centenária banda musical Lira Nossa Senhora das Dores, do Grupo de Viola Alma Caipira e da dupla Tião e Paulinho, que ganhou até uma banda. O Sr. Tião Venâncio também enchia de alegria a rua em frente a sua quitanda tocando sua viola caipira. Hoje, ele continua tocando, mas na varanda de sua casa.  A Congada São Benedito, que existe a quase um século, é símbolo de tradição, levando a sua música e dança para todos durante as comemorações da cidade.


O município teve seu artesanato em madeira divulgado pelas talentosas obras esculpidas pelos saudosos Sr. Valter Cotinha e Sr. Adão. A pintura se tornou conhecida, com os quadros pintados a terra por Dona Rosa Ribeiro e pelos quadros do saudoso Márcio Camargo. As palhas de milho ganharam vida nas mãos de Dona Ivanilde Ferreira, através das bonecas e imagens de santos confeccionados. A palha de milho também foi matéria-prima para as saudosas Dona Lázara e Maria de Fátima, ao produzirem suas esteiras, que foram os tapetes de muitas casas e hoje são usadas como objeto de decoração. E claro, as brincadeiras também eram permeadas por arte, com a confecção de petecas e bilboquê de palha de milho, penas de galinha e madeira.

 

Com a chegada do turismo, novos artistas e artesãos escolheram Gonçalves como casa e hoje colorem e alegram ainda mais os espaços do município, proporcionando a troca de saberes e a diversidade cultural.

Os eventos presenciais estão temporariamente suspensos ou sendo realizados de forma reduzida, devido a pandemia, mas em breve irão retornar aos espaços físicos, com toda alegria e cor, que Gonçalves conhece e merece, dentre eles: O Festival de Gastronomia e Cultura da Roça, que está sendo realizado em um formato reduzido entre os dias 05 de novembro e 05 de dezembro, o Giro na Cidade, as apresentações da Lira Nossa Senhora das Dores e a Congada São Benedito, além dos shows dos demais artistas.

 

Você deve estar se perguntando, mas qual a ligação entre a GonçalvesTur, uma Associação Pró-Turismo e a Cultura? E a resposta é simples: um dos pilares que sustenta o desenvolvimento turístico de forma responsável e consciente é a cultura. Se a cultura não for valorizada e preservada, a essência de Gonçalves se perderá. E a GonçalvesTur atua como apoiadora ou realizadora de ações que valorizam e engrandecem as manifestações culturais de Gonçalves, incentivando o resgate das mais diversas expressões culturais, para que elas continuem perpetuando de geração para geração.

 

 

 

Por Marília Ribeiro